segunda-feira, 14 de setembro de 2009

AOS POETAS CLÁSSICOS.

Poetas niversitário,
Poetas de Cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia;
Se a gente canta o que pensa,
Eu quero pedir licença,
Pois mesmo sem português
Neste livrinho apresento
O prazê e o sofrimento
De um poeta camponês.

Eu nasci aqui no mato,
Vivi sempre a trabaiá,
Neste meu pobre recato,
Eu não pude estudá.
No verdô de minha idade,
Só tive a felicidade
De dá um pequeno insaio
In dois livro do iscritô,
O famoso professô
Filisberto de Carvaio.

No premêro livro havia
Belas figuras na capa,
E no começo se lia:
A pá — O dedo do Papa,
Papa, pia, dedo, dado,
Pua, o pote de melado,
Dá-me o dado, a fera é má
E tantas coisa bonita,
Qui o meu coração parpita
Quando eu pego a rescordá.

Foi os livro de valô
Mais maió que vi no mundo,
Apenas daquele autô
Li o premêro e o segundo;
Mas, porém, esta leitura,
Me tirô da treva escura,
Mostrando o caminho certo,
Bastante me protegeu;
Eu juro que Jesus deu
Sarvação a Filisberto.

Depois que os dois livro eu li,
Fiquei me sintindo bem,
E ôtras coisinha aprendi
Sem tê lição de ninguém.
Na minha pobre linguage,
A minha lira servage
Canto o que minha arma sente
E o meu coração incerra,
As coisa de minha terra
E a vida de minha gente.

Poeta niversitaro,
Poeta de cademia,
De rico vocabularo
Cheio de mitologia,
Tarvez este meu livrinho
Não vá recebê carinho,
Nem lugio e nem istima,
Mas garanto sê fié
E não istruí papé
Com poesia sem rima.

Cheio de rima e sintindo
Quero iscrevê meu volume,
Pra não ficá parecido
Com a fulô sem perfume;
A poesia sem rima,
Bastante me disanima
E alegria não me dá;
Não tem sabô a leitura,
Parece uma noite iscura
Sem istrela e sem luá.

Se um dotô me perguntá
Se o verso sem rima presta,
Calado eu não vou ficá,
A minha resposta é esta:
— Sem a rima, a poesia
Perde arguma simpatia
E uma parte do primô;
Não merece munta parma,
É como o corpo sem arma
E o coração sem amô.

Meu caro amigo poeta,
Qui faz poesia branca,
Não me chame de pateta
Por esta opinião franca.
Nasci entre a natureza,
Sempre adorando as beleza
Das obra do Criadô,
Uvindo o vento na serva
E vendo no campo a reva
Pintadinha de fulô.

Sou um caboco rocêro,
Sem letra e sem istrução;
O meu verso tem o chêro
Da poêra do sertão;
Vivo nesta solidade
Bem destante da cidade
Onde a ciença guverna.
Tudo meu é naturá,
Não sou capaz de gostá
Da poesia moderna.

Dêste jeito Deus me quis
E assim eu me sinto bem;
Me considero feliz
Sem nunca invejá quem tem
Profundo conhecimento.
Ou ligêro como o vento
Ou divagá como a lêsma,
Tudo sofre a mesma prova,
Vai batê na fria cova;
Esta vida é sempre a mesma.


Patativa do Assaré

quarta-feira, 19 de agosto de 2009



VIVER AGORA


Viver agora!

O amanhã? Nem sei se existe!

Até lá estarei velho, esquecido...

e não posso e nem quero

enterrar assim o desejo, a alegria.

Amanhã o passado poderá querer me algemar

à armadilha do compromisso.

O ontem? Coisas de arqueólogo...a desenterrar múmias doentias,

contaminadas de vícios, pecado e medo.

Viver agora!

O ontem? Cheira a mofo, coisas perdidas.

O ontem aniquila o hoje, o que poderia ter sido...

Viver agora!

O amanhã é imponderável, sugere rugas, desânimo, doença.

Viver agora!

Hoje o trovão me aquece

amanhã me assustará

Hoje a aventura me excita

amanhã evitarei improvisos

Quantos instantes, belos, breves,perdemos para o amanhã?

Viver agora!

Hoje me proponho viver criando um poema

amanhã poderei criar a morte

que agora não existe.

Estarei contando histórias

que não terei vivido.

Agora eu não preciso da esperança!

Tenho a vida, é minha! A vida, de graça!

Posso viver. Viver agora!


(Onivaldo Paiva)

terça-feira, 18 de agosto de 2009



Serenata

"Permita que eu feche os meus olhos,
pois é muito longe e tão tarde!
Pensei que era apenas demora,
e cantando pus-me a esperar-te.
Permita que agora emudeça:
que me conforme em ser sozinha.
Há uma doce luz no silencio,e a dor é de origem divina.
Permita que eu volte o meu rosto para um céu maior que este mundo,
e aprenda a ser dócil no sonho como as estrelas no seu rumo"
Cecília Meireles

terça-feira, 11 de agosto de 2009

O que estou ouvindo e recomendo

domingo, 9 de agosto de 2009

pensando alto...

Por que sentimos tanta falta de alguém?
Sentir falta não de alguem especifico, mas alguém pra estar junto, te olhando e te beijando sem parar dizendo que ama vc.
Acho q a gnt sente falta sim de muitas pessoas que fizeram parte do nosso passado nem q seja a pessoa q vc conheceu em uma noite, mas é q aquele momento foi tão bom que vc se apega à ela.
Acho que um dos motivos q temos por sentir falta de ter alguém é pq a gnt não aguenta mais ficar sozinho só com nós mesmos. É chato vc querer dizer palavras bonitas pra alguém e ter apenas o papel ou as paredes pra te escutarem. Sim, nós temos que nos amar para sermos amado, para sermos agradavel ao outro. Mas e depois que nos amamos?E aih?
E aí q seilah...talvez as pessoas sentem isso de alguma forma e vc vai estar tão seguro de si q vai ser facinho conquistar alguem. Quando nos amamos,amamos o mundo,nos aceitamos e somos capazes de qualquer coisa,temos certeza do que queremos pq ficamos seguros com nós mesmos.
É, isso faz sentido...
Somos uma especie de imã energetico que se estamos opostos nao atraimos ninguém. Ou talvez pq não é seu momento agora. É normal, isso é fase.
É tão bom estar com alguém que tenha segurança de si mesmo pq ela não se atira no chão pra vc fazer oq quiser com ela e qndo alguem é assim não é legal,realmente. Pessoas seguras de si mesmas sabem oq querem e ensinam o outro a ser alguem melhor, a ensina a amá-la (isso se ensina?) pq ama a si e tende a mostrar as qualidades que tem para conquistar a pessoa amada.
Depois de amar a si mesmo, a pessoa vai procurar alguem pro bem dela e nao uma qualquer. Isso não faz sentido? Vai procurar quem a faz bem e q a veja como única pq eh assim que ela se sente,certo?
A boca da pessoa q se ama é de ouro, não tem pra qualquer um. Só quem tem a chave vai abrir seu coração e ela vai se entregar de cabeça nessa paixão. Tem coisa melhor?Se entregar pra paixão sem medo... mesmo sabendo q corre o risco de quebrar a cara,mas a vida é assim. Estamos sempre quebrando a cara e aprendendo. É o famoso "se fudendo e aprendendo".
E depois que está com alguém há o compartilhar, o se autoconhecer, o aprender com o outro e as sonecas de conchinha. Dois tornam-se um só.

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Em Paris - João Paulo Cuenca



Ainda sou um forasteiro, eu e minhas horas de caminhada pelas ruas curvas, retas vesgas de mão tripla cortadas por uma mixórdia de faróis e buzinas, pelos becos de pedra e por ruelas de quinhentos anos que escorrem escuras até o Sena, onde gárgulas olham sobre os meus ombros, tiram estranhas conclusões e sopram absurdos nos meus ouvidos, por grandes avenidas nubladas de árvores nuas, e pelas incontáveis linhas de metrô que se contorcem sob a cidade como serpentes ocas de concreto, umas sobre as outras. Em todos os lugares que se possa estar, a oferta de cafés, bares e restaurantes é caleidoscópica – centenas de milhares de letreiros de néon sobre portas art déco, aquários esfumaçados de palavras que não compreendo. Escolher em qual deles entrar é uma impossibilidade. Vago com as mãos nos bolsos cheios de moedas, olhando de fora para dentro, escapando do meu reflexo nos vidros sujos, imaginando como seria estar em alguma mesa, vou e volto, premio minha indecisão com passos pelo frio, uma procissão por quarteirões desconhecidos, e, depois de algumas horas escolho algum lugar para sentar. Então abro esse caderno e peço uma taça de vinho, e outra, e depois peço uma garrafa do vinho da casa (um bordeaux vagabundo sensacional), e fico enchendo minhas horas com o vermelho do vinho e com o som das vozes e de uma música ordinária que sai das caixas de som. É um sábado à noite e o bar na Rue Decartes está lotado, assim como todos os outros buracos da Rue Mouffetard e do Quartier Latin. Para os franceses, cheguei tarde (uma da manhã), e estamos na hora mágica em que as moças estão docemente alteradas pelo álcool, sendo convencidas pelos homens sentados à sua frente a trepar. Pelo panorama, vejo que terão sucesso. Eles cochicham nos pequenos ouvidos das moças, que riem, curvam o pescoço para o lado e despenteiam os cabelos, soltando abismos nos coques dos cabelos pretos. Sobre as francesas: são definitivamente loucas. Choram pelas calçadas onde pisam forte como cavalos xucros, bufando, enforcadas pelos cachecóis. Nos cafés, todas as manhãs, perdem o foco do olhar e das sobrancelhas arqueadas para o nada, misturadas como se guardassem uma multidão enfurecida dentro de si. E fumam, fumam compulsivamente, inspiram a fumaça para dentro do seu corpo, dos pés até os pêlos dos braços, e depois exalam um pouco delas junto com uma nuvem cinza escura – e fico sem saber o quanto do cinza pertencia a elas ou ao cigarro. Agem com intensidade disfarçada – são blasées nos gestos, mas estão à beira de um grito histérico que iria desmontar todos os penteados e catedrais de Paris. Todas parecem atrizes de teatro. Uma mulher francesa deve ser um pequeno e delicado inferno. (E pensando melhor na idéia que eu tinha das francesas, agora vejo que você parece muito mais francesa do que a maioria das francesas.) Os homens, como as moças, são muito bonitos e tristes, como diria Hemingway, do jeito que só um jovem francês pode ser. Mas não escapam da herança genética masculina e, apesar do porte de galã, são umas bestas de olhar canino, balançando os braços para os lados enquanto andam, falando alto e cuspindo pelas calçadas com cheiro de mijo. Todo mundo aqui se veste bem e penteia (ou despenteia) cuidadosamente os cabelos. Todos, é claro, menos eu. Sempre que são na rua, lembro que preciso comprar um sapato novo e um sobretudo decente. Mas acabo gastando todo o meu dinheiro com comida, museu, café e doses cavalares de vinho tinto. Ontem fez sol e muito frio, e amanhã vai fazer mais – frio e sol. Para mim, um dia de sol com temperatura próxima de zero é como um sonho estranho, sem sentido, misturado. Espero continuar acordando para dentro do sonho, espero conseguir fazer sentido em breve. Volto a escrever. Mais e, espero, melhor da próxima vez. Com amor, João.

terça-feira, 23 de junho de 2009



“O maior ato de desapego é soltar o passado e as preocupações com o futuro e viver no momento presente. Quando fazemos isso, concentramos nossa atenção e energia e não nos desvitalizamos com críticas, comparações e julgamentos. O desapego nos libera da culpa e do desperdício de energia. No momento presente, não precisamos possuir ou perder nada.”