segunda-feira, 22 de fevereiro de 2010

Carta de 2008

de: Bianka passada
para: Bianka futura

Querida Bianka,
Como você está?Imagino que esteja feliz, pois está fazendo o que gosta que é teatro. Esta é uma etapa que está finalizando, mas haverão outras que eu tenho certeza que te ensinará muitas coisas e que vão fazer você ampliar suas visões de mundo e em relação à arte.
Pelas coisas que eu vivi até agora nas aulas do Paulo (Fundamentos da Interpretação), deu pra ver bem o que é compartilhar, se entregar e integrar e entrar em contato com o outro, me fazendo ter diversas sensações diferentes. As aulas dele me fazem sentir muito que "estamos em família", ele faz a gente sentir isso, você não acha? Eu sei que você gosta de se sentir acolhida e de estar a vontade com todos, então eu imagino o quanto você gosta e aproveita essas aulas.
Espero que você esteja mais segura de falar em público e que esteja menos medrosa do que antes, porque a segurança vai te ajudar muito tanto na vida quanto no teatro. Esteja segura sempre, isso vai te ajudar!
Boa sorte nos próximos 3 anos, que todos seus desejos sejam realizados e que você seja muito talentosa na sua carreira de atriz!

Beijos
Bianka

sábado, 20 de fevereiro de 2010

Janelinhas para o mundo


Quem abre um poema.. abre um livro... abre uma janela e muitas portas...
Frase inspirada em Mário Quintana


Houve um tempo, não tão distante desta virada de século, há poucas décadas, uma época conhecida, na posteridade, por "anos dourados", quando ser criança era somente... ser criança.
Em muitos rincões deste Brasil de Deus, ainda pouco se cogitava a existência de televisores; apenas ouvia-se falar em um tipo de rádio que "mostrava os artistas lá dentro, cantando e falando”.
Nesse universo ingênuo, na pequenina cidade de Monte Verde, perdida no poético interiorzão paulista, o programa de fim-de-tarde e começo-de-noite era brincar de pique na pracinha central, um dos poucos momentos em que os moços e as moças permitiam-se misturar à meninada.
Nesse mundinho feliz, vivia a pequena Isa.
Quando Isa teve contato com os poemas de Mário Quintana, lembrou-se de uma imagem muito presente em seu mundo pueril, por conta de uma frase dita, certo dia, por sua professora:
- "Para crescermos em todos os aspectos, é importante que vivamos abrindo as janelinhas do saber."
Mentalmente, a pequena Isa visualisava janelinhas e mais janelinhas se descortinando, inundando os ambientes de luzes, letrinhas voadoras, borboletas, pássaros, fadas, mas também figuras aterrorizantes, tais como assombrações, bruxas, personagens folclóricas e tantas mais! E, nesse processo de infinitas descobertas, um fascinante campo revelava-se-lhe de forma especial: a literatura. Em sua imaginação, a cada história, a cada texto, a cada livro saboreado, não apenas uma, mas muitas janelinhas se abriam, possibilitando um doce vai-vem de diferentes pensamentos e emoções.

As ensinanças da vida, paulatinamente, foram mostrando a Isa que, além de janelinhas, iam-se abrindo, inclusive, muitas “portinhas”, por onde não só é possível sair em imaginação, mas também em ação: mergulhar nos vários campos do conhecimento, vivenciar sua prática, adentrando as portas que se abrem às oportunidades que a vida nos proporciona.
Janelinhas ou portinhas, o importante para Isa foi aproveitar as oportunidades de crescimento interior que cada leitura, cada experiência, cada vivência – alegre ou triste - lhe possibilitavam, revelando mais segredos, desvendando novos mistérios dentre tantos os que emanam as almas, corações e pequenos mundos, deste universo infinito...

quarta-feira, 17 de fevereiro de 2010

Plena mujer, manzana carnal

Plena mujer, manzana carnal, luna caliente,
espeso aroma de algas, lodo y luz machacados,
qué oscura claridad se abre entre tus columnas?
Qué antigua noche el hombre toca con sus sentidos?

Ay, amar es un viaje con agua y con estrellas,
con aire ahogado y bruscas tempestades de harina:
amar es un combate de relámpagos
y dos cuerpos por una sola miel derrotados.

Beso a beso recorro tu pequeño infinito,
tus márgenes, tus ríos, tus pueblos diminutos,
y el fuego genital transformado en delicia

corre por los delgados caminos de la sangre
hasta precipitarse como un clavel nocturno,
hasta ser y no ser sino un rayo en la sombra.

segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

o jeito é assim: olhou, coração bateu, arrepio, suor frio, cócegas no estomago, levemente sorriu...





paixão!

domingo, 7 de fevereiro de 2010




O que você quer saber de verdade - Arnaldo Antunes


Vai sem direção

Vai ser livre

A tristeza não

Não resiste

Jogue seus cabelos no vento

Não olhe pra trás

Ouça o barulhinho que o tempo

No seu peito faz

Faça sua dor dançar

Atenção para escutar

Esse movimento que traz paz

Cada folha que cair

Cada nuvem que passar

Deixa a terra respirar

Pelas portas e janelas das casas

Atenção para escutar

O que você quer saber de verdade


domingo, 31 de janeiro de 2010



"Agora é hora de uma digressão na qual descreveremos os sentimentos de nossos heróis."
(música)
"Arthur segue olhando os pés, mas sua mente está na boca de Odile e seus beijos românticos."
(música)
"Odile se pergunta se os garotos percebem seus seios movendo-se por baixo do suéter."
(música)
"Franz pensa em tudo e em nada. Ele se pergunta se o mundo está virando um sonho ou se o sonho está virando o mundo."
(música)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2010

MEUS GOSTOS (alguns até um pouco...esquisitos)



gosto de cafuné ou carinho no pé
gosto de pisar nas linhas de uma calçada ou brincar de pular uma e alcançar a outra
gosto de cheiro de madeira e de queimado
de ver alguem falando no tel e imaginar o que a outra pessoa está falando
de estourar plastico-bolha
de enfiar a mão num saco de sementes
de espirrar
doces
cantar em grupo
rir até a barriga doer
ficar horas batendo papo no msn e baixando musicas
de olhar para pessoas e ver quem olha nos meus olhos quando passa por mim
fazer caretas
mexer no anel
de ver os outros rindo
de fazer cocegas em criança
de abraçar
olhar nos olhos
de me apaixonar
me olhar no espelho
pintar com o dedo
gosto de ficar mordendo a pelinha morta dos dedos da mão
de pegar no cotovelo dos outros
esfregar o pé num tapete bem peludão
tirar cola tenaz seca da mão
inventar palavras
ficar enrolando na cama depois de acordar
raios de sol entre as folhas das arvores
de dormir com o barulho do ventilador depois de um banho em dia quente
de falar ao mesmo tempo a mesma palavra que a pessoa falou
de deitar na grama
ficar no telefone até o assunto acabar
ouvir musica antes de durmir
gosto de trocar olhares daqueles que vc sabe o que a pessoa está pensando
de sussuros
de artista de rua
tomar café da manhã
filmes em dias de frio ou de chuva
gosto de ler
gosto do som do nome "Clarice Lispector"
criar poemas
ficar inspirada
escovar os dentes e beber agua depois
ver estrelas
passar o dedo no finalzinho da lata de leite de condensado e lambe-lo
de brincar com a voz
cantar "Como nossos pais" da Elis Regina bem alto
andar descalça
dormir depois do almoço
tomar banho de chuva
de falar nada com nada
viajar com os amigos
gosto de conhecer pessoas em lugares inusitados
tirar fotos
ver videos da minha infância
dormir escutando Marissa Nadler
expressar meus sentimentos
gosto de chorar muito até dar sono
gosto de sentimentalismo
de ver ou ouvir coisas antigas
de aplausos
.....